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SOMALIS
BRASILEIRA








 

Fonte: Boletim Pecuário

Proveniente da Ásia Central, sendo encontrado também na China e
na Sibéria, o carneiro Somalis é ainda conhecido como "Persiano",
devido á sua origem.

Sua introdução no Brasil, foi feita por criadores do Estado do Rio
de Janeiro em 1939. O Somalis não se adaptou a região por causa
do clima, sendo então, levado para o Nordeste, onde se encontra
em franca expansão. O reduto de Somalis do Ceará e do Rio
Grande do Norte vem se estendendo, havendo criadores em
Pernambuco e até na Bahia.

Os principais atributos do Somalis são a rusticidade, sobriedade
quanto a alimentação e adequação ao clima seco. Apresentam
porte médio, cerca de 60 a 70 kg., e pouca ou nenhuma lã. Embora
de porte médio, o Somalis apresenta bom rendimento devido á
facilidade que a raça tem em ganhar peso. No Nordeste, o Somalis
é especialmente indicado para cruzamentos, dando excelentes
resultados. Mesmo sendo uma raça de porte médio ou ás vezes
até pequeno porte, seus produtos mestiços são altos, pesados e
rústicos.

A aptidão da raça é para carne e pele, a qual é extraída e
comercializada em forma de pelica. A característica principal da
raça é a garupa "gorda" e cheia, que nada mais é que um depósito
de gordura, talvez uma reserva de energia para o animal sobreviver
nas épocas criticas.

Devido ao contraste de sua pelagem (cabeça e parte do pescoço
preto ou vermelho, e o corpo branco, liso), o Somalis é também
denominado "carneiro da cabeça preta".

Apesar do efetivo do rebanho; no País, ser reduzido, esse tipo de
animal tem grande importância para os criadores, pois entre os
bovinos deslanados (Santa Inês, Morada Nova) é raça que
apresenta maior resistência ao ambiente adverso com uma taxa de
mortalidade de dez por cento quando comparada a Santa Inês
(22%) e a Morada Nova (26%).

A raça Somalis Brasileira em relação as demais deslanadas
apresentou problemas de consangüinidade, haja vista o
aparecimento de defeitos genéticos no rebanho inicial de
pesquisa, como criptorquidismo (os dois testículos introduzidos no
abdome tornando o animal infértil) e o prognatismo (má formação
da arcada dentária), prejudicando sensivelmente a trituração dos
alimentos.

Mas o Centro Nacional de Pesquisa do Caprinos (CNPC), desde
1985; vem trabalhando com a raça fazendo acasalamentos e
seleção para a melhoria genética do rebanho.

Este trabalho é feito na fazenda Várzea Alegre, Município de
Independência (CE), que dista de Sobral, 260 km, cujos resultados
foram:

a) As ovelhas Somalis Brasileira, tem um período de gestação
de 149 dias.

b) E uma taxa de parição, da ordem de 70%.

c) A taxa de acasalamento, ou seja, o número de ovelhas
paridas por o número de ovelhas expostas, chega 93%.

d) Normalmente, as crias nascem com dois quilos e
quatrocentos gramas.

e) O peso ao desmame, ou seja, 112 dias, pode alcançar 14
quilogramas. Já seu peso médio aos 180 dias, alcança 18
quilogramas.

f) Já a prolificidade, ou seja, o número de cordeiros nascidos
por número de matrizes paridas, chega a 1.19.

g) A taxa de mortalidade das crias até o desmame, foi de dez
por cento.

h) De um percentual de anomalias genéticas da ordem de oito
por cento, hoje, registra-se apenas menos de cinco por cento.

i) Pode-se observar ainda: maior uniformidade do rebanho,
melhoria das características produtivas e reprodutivas dos
animais, como também, muitos animais foram registrados
pela ARCO e comercializados com criadores.

O rebanho do CNPC recebe o seguinte manejo: é mantido em
pastagem nativa em regime semi-extensivo. Vermífugos quatro
vezes por ano. Recebem uma suplementação de sal mineral e
farinha de osso. É submetido a uma estação de monta controlada
nos o meses de novembro e dezembro, usando-se em média um
reprodutor para cada 25 matrizes.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Revista O Berro - Editora Agropecuária Tropical -
Coletânea de várias Edições
 

Fonte: Boletim Pecuário