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MERINO








 

Fonte: Boletim Pecuário

Desde o século passado existem apontamentos e
ilustrações sobre esta raça. Tudo indica que o Merino veio
da Península Ibérica, provavelmente de Portugal.

São animais lanados, gregários, possuindo ou não chifres e
rústicos que se adaptam bem em qualquer clima,
particularmente o seco. O macho adulto atinge 100 a 130 kg
de peso e as fêmeas 40 a 80 kg, na Europa o índice de
prolíficidade é 120 a 140%. A lã tem cerca de 8 a 10% do
peso do animal adulto e um comprimento de 6 a 7 cm. Sua
principal função na Europa e, especialmente na França, é ser
uma raça melhoradora das demais raças, além de fornecer
lã para um tecido muito usado na Espanha, o merino.
Existem vários tipos de Merinos, na França, a saber: Merino
de Rambouillet,- Merino Precoce, Merino D'Arles, l'Est à
lame Menno e há Merinos de outras a origens e com outros
nomes, como por exemplo, Merino Americano (Espanhol),
Debouillet (Mexicano), Merino Delaine (Espanhol) etc. No
Brasil há as seguintes raças de Merino: Rambouillet;
Argentino; Australiano; Precoce; Negretti; Eleitoral;
Americano (Delaine Vermont) e Húngar.
Sul americano - Em 1813, a Argentina importou as primeiras
raças de Merinos da Saxônia, os quais foram empregados
sobre ovelhas crioulas, já com sangue Merino. Somente 50
anos mais tarde iniciaram importações de Rambouillets que
logo adquiriram grande fama, absorvendo, a partir de 1880,
os Merinos especializados exclusivamente para lã .
Seguiu-se uma seleção, que pretendia satisfazer os ideais
dos criadores e em 1900 estava pronta a raça de Merino
Argentino, como é conhecido na República Argentina, ao
passo que no Uruguai é conservado o nome de Rambouillet,
sendo preferível a denominação de Merino Sul Americano.
Na realidade, esse tipo Merino resultou de uma mistura de
variedades de procedências diversas introduzidas em
épocas sucessivas, com a finalidade de melhorar a ovelha
espanhola. A variedade de maior influência que exerceu
sobre a formação dos Merino Sul Americano foi o
Rambouillet francês, embora tenham contribuído, com menor
intensidade, as variedades Electoral, Negretti e Vermont.

Australiano - A primeira importação de 29 cabeças vindo
diretamente do Cabo , África do Sul, para a Austrália data de
1789. O progresso da criação de carneiros foi tão grande
que hoje a Austrália possui o primeiro rebanho na ordem de
185 milhões de cabeças e é maior produtor mundial de lã,
com uma produção anual de 920.000 toneladas de lã bruta.
Estes números significam que a Austrália possui
aproximadamente 1/6 do rebanho mundial de ovinos e
produz 1/3 de toda a lã. A maioria da criação está
concentrada em Nova Gales do Sul. A Austrália importou
Merinos de todas as variedades: Electoral, Negrettis,
Rambouillets, Vermonts, etc. O Merino Australiano foi
constituído pela progênie dessas variedades, com as
proporções aproximadas de sangue: 25% de Merino
Espanhol ; 40% de Vermont; 30% de Electoral e Negretti ;
5% de Rambouillet francês. Procurou-se desde logo conferir
maior vigor e melhorar as formas da produção de lã e as
qualidades necessárias para um bom animal de corte. O tipo
atual é um ovino de grande produção com rendimento
econômico bem adaptado às condições naturais do sistema
de exploração extensiva, com um velo de muito peso e com
uma lã uniforme em finura e comprimento, cor branca
característica de externa suavidade ao tato. O comprimento
da mecha foi sem dúvida um fator determinante do aumento
do peso em lã do Merino Australiano.

Espanhol - A raça do carneiro Merino na Espanha é antiga,
por isso não se sabe ao certo como essa raça se formou.
Supõe-se que os carneiros que lhe deram origem foram
Introduzidos na Espanha assim como alguns pesquisadores
também afirmam que o Merino veio de Portugal, como
relatamos no princípio do texto. Em diversas épocas pelos
povos que a colonizaram, primeiramente os fenícios e
cartagineses, depois gregos, romanos e mouros. A palavra
"merino" parece significar "transumante", (sem domicílio),
porque, desde o século XIV, os criadores, nobres e cléricos,
associados em mestas ou sindicatos, faziam pastar seus
carneiros no sul durante o inverno e no norte, no verão.

Rambouillet - Já na França, o nome da raça deriva do
Marquês de Rambouillet, proprietário de uma granja perto de
Paris, transformada em estação experimental destinada à
aclimação de animais e plantas, para onde foram levados os
carneiros Merinos introduzidos na França. Por ordem de Luís
XVI, em 1785, M. Gilbert percorreu a Espanha adquirindo
318 ovelhas e 41 carneiros todos da melhor qualidade. Os
trabalhos de seleção foram feitos inicialmente no sentido não
só de melhorar a produção de lã, produzindo fibra mais
longa, mas dar uma boa conformação para corte, criando um
carneiro de peso. Hoje existem Rambouillets franceses,
americanos, alemães, etc., distinguindo-se por pequenas
particularidades. Todo o país criador de carneiros tem
importado o Rambouillet, que durante muito tempo gozou da
justificada popularidade.

Introduzidos no Nordeste brasileiro, desde o período colonial,
o Merino demonstrou sua rusticidade e prolificidade: é
encontrado em todas as regiões, quer no litoral, no agreste a
no semi-árido. Nessa região, o Merino mais frágil acabou
sendo dizimado pela seca ou pela perseguição do sertaneja,
que até hoje Ihe dedica seu desprezo por julgar que se trata
de um carneiro inferior. Apesar de tudo isto, os Merinos
foram mais fortes que a seca, que os famintos flagelados,
que a miscigenação incontrolada. Há muitos tipos de
Merinos no Nordeste, ou "Merino", como é conhecido em
alguns Estados, com tamanhos variados e com
diversificação de lã mas, em todos eles, o perfil e as orelhas
são iguais.

Demonstrando uma resistência impar, o Merino resistiu ao
rigor climático e á perseguição humana, sem conseguir a
fundação de um só núcleo de seleção e preservação, onde
pudessem ser praticados cruzamentos dirigidos para França
Aqui, o peso do Merino varia de 30 a 45 kg, apenas,
enquanto que na França e na Espanha, além de lã,
rusticidade que imprime nas demais raças, o Merino
também é procurado pelo excelente sabor da carne. O
Merino nordestino, portanto, é um bizarro primo-pobre do
Merino europeu!

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Revista O Berro - Editora Agropecuária Tropical -
Coletânea de várias Edições
 

Fonte: Boletim Pecuário