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BERGAMACIA








 

Fonte: Boletim Pecuário

A raça Bergamácia, originária de Bérgamo, Itália, não apresenta
elementos seguros sobre sua formação mas, devido ao porte e ás
orelhas pendulosas características, é considerada de origem
sudâníca. Uma outra corrente de opinião analisa as semelhanças
entre a Bergamácia e as alpinas típicas como a Carínzia,
acreditando na possibilidade do carneiro alemão de lã grossa,
Zauplschaf, ter influenciado na formação da raça.

No Brasil, a raça Bergamácia é criada nos Estados de clima
temperado. No Nordeste concentra-se especialmente na Bahia,
Estado onde entraram os animais da última importação ocorrida na
década de 30. Desde aquela época, há cerca de 50 anos, os
animais Bergamácios brasileiros estão isolados dos ancestrais
italianos.

Embora estando há tantos anos em solo brasileiro, só em 1977 foi
criado o padrão da raça que difere em alguns pontos do padrão
italiano, este instituído um ano antes. No padrão italiano, além da
descrição externa, existem os caracteres biométricas, ou seja, as
medidas ideais, como: altura na cernelha, altura na garupa,
profundidade torácica, etc.

A raça é especializada para produção de carne, mas também é
razoável produtora de lã e leite. Ainda que no Brasil não seja usual
a ordenha de ovelhas, a literatura afirma, e até consta no padrão
brasileiro da raça, haver rebanhos de Bergamácia atingindo 250 kg
de leite com 60% de gordura em seis meses de lactação! Quanto á
produção de lã, esta chega a atingir 5 kg nos machos e 4 kg nas
fêmeas em duas tosquias por ano, lã de finura média e qualidade
baixa. Os índices de fertilidade e prolificidade são altos, a idade
para o primeiro parto é 13 meses e as ovelhas parem gêmeos com
freqüência. Tais dados, segundo o Prof. Roberto Meirelles de
Miranda, são sujeitos a dúvida, uma vez que não há, no Brasil, um
levantamento real da produtividade do Bergamácia.

As características exigidas para o Bergamácia é o grande porte,
tendo os machos de 100 a 120 kg e as fêmeas 70 a 80 kg; sendo
branco, lanudo, mocho, orelhas pendentes (atingindo no mínimo a
ponta do focinho), mucosas nasais e órbitas oculares róseas, perfil
ultra-convexo, fronte estreita. O pescoço é forte, alongado e com
leve depressão na sua união com o corpo, dorso reto, velo branco,
pêlos curtos cobrindo a cabeça, face ventral do corpo e os
membros abaixo do joelho, com lã no restante do corpo.

Como se trata de uma raça especializada para produção de carne,
o padrão brasileiro é rigoroso quanto ao peso mínimo dos animais
para efeito de registro.

O comentário do Prof. Roberto Miranda em defesa da raça é:" - O
padrão brasileiro cita detalhes que, certamente impedirão a
inscrição de numerosos animais promissores. Qual a porcentagem
de machos atinge, no Brasil, 100 a 120 kg? e fêmeas com 70 a 80
kg? Será, realmente, alta a freqüência de partos duplos no
Bergamasca brasileiro? Haveria vantagem nesta qualidade nas
condições de nosso criatório extensivo, com longos períodos de
baixa nutrição? E a produção de 250 kg de leite, superior á do
padrão italiano, seria alcançável no Brasil? O que dizer de velo
com 4 e 5 kg no Bergamasca brasileiro?" Conforme diz o
Professor - excelentes animais deixam de ser aproveitados face as
exigências do padrão, estupidamente mais rigoroso que o Padrão
Italiano.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Revista O Berro - Editora Agropecuária Tropical -
Coletânea de várias Edições

Fonte: Boletim Pecuário