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NORMANDO













 

Fonte: Boletim Pecuário

O Normando formou-se a partir de antigos animais que
povoaram a Normandia e dos bovinos introduzidos pelos
conquistadores Vikings, no século IX. Os Vikings levavam
consigo animais "germânicos" para povoar uma zona litorânea
da Grã-Bretanha, onde surgiu a raça Hereford e, no outro lado
do canal da Mancha, conquistaram a região que passou a ser
conhecida como Norman-dia. Mais tarde, forarn utilizados touros
britânicos, a partir do século XVII, na península Contentin,
ampliando-se para as regiões periféricas até o século XIX. Era
chamada, então, de "raça germânica" (devido á semelhança
com os gados de Breitenbourg, Wistermasch e Mecklen-bourg),
ou raça "Contentina" Por volta de 1850, a introdução de sangue
Durham e Shorthorn permitiu melhorar ainda mais a
precocidade e as formas, chegando a um vitorioso Normando,
de grande porte, espalhando-se para as regiões de Mayenne,
Sarthe, Lile-et-Villiane, Loire Atlantique, Euro-et-Loire e o norte
francês. Também o Hereford e o Polled Hereford foram
utilizados nesse período, em menor escala, cabendo salientar
que a origem destas raças, de acordo com alguns estudiosos,
está baseada nas incursões vikings na Bretanha, para onde
levaram o gado Normando.

Em 1845, no passeio triunfal da "Festa do Boi", durante o
carnaval de Paris, destacava-se o touro "Pére Goriot'; de 6
anos, que pesava 1.970 kg. Media 2,97 m de comprimento e
1,90 de altura! Em 1847, o sucesso era de "Monte-Christo" com
1.902 kg (Sanson). Em 1906, o campeão foi "Prince Noir", com
1.350kg.

Em 1883 foi criado o Herd Book Normando e, em 1907, surgiu o
primeiro controle leiteiro oficial na Normandia. A partir dessa
data, as três linhagens básicas: "Contentine", "Augerone" e
"Cau-choise", tenderam para o tipo "Contentino", resultando no
moderno Normando. Entre 1939-1944, a cidade de Caen, sede
do Registro Genealógico, foi destruída em bombardeios,
perdendo-se todos os registros. Por isso, em 1946, foi instituída
a obrigatoriedade do Controle Leiteiro para todos os criadores
e novos Livros Genealógicos foram implantados até 1949,
quando foram, então, fechados. A partir dessa data, começava
a prática da inseminação Artificial: a primeira vaca inseminada
artificialmente pelo Centro de la Coupe foi uma Normanda. Em
1953 a raça Normanda foi a primeira a ser escolhida para
introduzir um Teste de Progênie.

Em 1969 foi criada a UPRA Normando, uma federação mundial
para seleção da raça Normanda, indicando 59% da orientação
para o leite, 35% para morfologia e 6% para características
adicionais. Hoje ocupa uma extensa região francesa, incluindo
até o centro do país, onde é a mais numerosa. Está presente em
todos os climas, desde altitudes de 500 até 2.000 metros. Soma
quase 6,0 milhões de cabeças na Franca.

O habita atual está nas regiões de Manche e Calvados, no
sudoeste de Le Havre, província de Normandia, na França, de
pastagens suculentas, com locais de média altitude e vários
tipos de clima temperado.

Características - A pelagem admite três cores típicas:
amarelada ou avermelhada, castanho escuro ou quase negro,
em fundo branco (ou então: vermelho ou ruivo - "Blond";
castanho escuro ou pardo - "Bringé" e o branco - "Caille').
Qualquer dessas cores pode predominar, tanto em rajadas
("aracás") como em malhas ("tartarugas"). O castanho deve ser
sempre muito visível. O mais comum é a pelagem malhada,
colorida. A linhagem "Augerona" é branca pintada. A fronte é
espaçosa com uma ligeira depressão entre os olhos, que são
proeminentes, e quase sempre rodeados por urna mancha
escura denominada "soco" ("coup de polng'), "óculos", ou
"lunetas". A cabeça é branca com manchas coloridas
particularmente ao redor dos olhos (óculos), apresentando um
focinho preto e orelhas de coloração uniforme ou mista, sem
manchas. Os cascos são pretos. O Normando pode ser aspado
ou mocho, sendo esta característica herdada dos cruzamentos
realizados no final do século XIX.

Produção leiteira - A vacaNormanda era descrita da seguinte
maneira: "Primeiro, ela dá em abundância, excelente leite;
depois em gorda muito facilmente mesmo dando multo leite;
enfim faz uma boa morte com muita carne de primeira
qualidade" (Paul Mess¡er, in Cotrim, 1913, p. 208).

A produção leiteira apresenta uma média de 6.170 kg (FFCL,
1995), com 4,18% de gordura, em 305 dias, com recordes
acima de 8.500 kg. É a principal raça leiteira francesa e a raça
campeã de índice protéico no leite (3,39%), na França. Embora
boas produtoras de leite rico, as vacas somente produzem bem,
se forem bem alimentadas. A raça Normanda deu origem aos
famosos queijos "Camembert", "Pont l'évéque", "Livarot",
"Neufchátel", "Brie", etc. e outros que recebem "Certificados"
especiais.

Produção de carne - É raça de grande porte, e elevada
precocidade sexual: a puberdade chega aos 7-8 meses nas
novilhas. O gado apresenta boa aptidão para engorda,
ganhando espaço nessa função, nos últimos anos. Os machos
pesam entre 1.000-1.200 kg, com recordes acima de 1.300 kg;
as fêmeas pesam entre 650 -800 kg. Os novilhos pesam 300 kg
aos 12 meses mas, se direcionados para o abate após período
de confinamento, atingem 500-550 kg entre 12 -15 meses, com
ganho diário de 1.200-1.400 gramas. Na Franca, a demanda da
carne é comparável á das raças especializadas Nivernês
(Charolês) e Limousin, constituindo boa parte da produção
consumida no país. Em termos de maciez e constituição de
fibras, a carne só é inferior á do Jérsey.

Nos cruzamentos, o macho pesa até 450 kg com menos de 2
anos, podendo chegar a 520 kg, no Brasil. Aos 3 anos, as vacas
mestiças passam de 635 kg, conforme experiências em Lages,
SC.

Foi instituído o selo "FQRN - Qualidade de Carne de
Normando", identificando o produto, pagando entre 0,90 a 1,30
francos a mais por quilo ao produtor.

Atualmente, na Franca, vem sendo cruzado o Normando com o
Charolês, com ótimos resultados.

No Brasil - O Normando chegou áArgentina em 1892, á
Colômbia em 1877, ao Uruguai em 1889 e está no Brasil há
mais de 100 anos, mas o primeiro animal registrado foi a vaca
"Baianoide", de José G. Gauer, em 1923, da cidade de Santa
Maria, RS, importada com mais 3 vacas e 1 touros diretamente
da Franca no mesmo ano. Os primeiros cruzamentos, no Brasil,
foram realizados com o Gir, em 1973, no Rio Grande do Sul.
Posteriormente, forarn utilizadas as raças Nelore, Guzerá e
Tabapuã, tendo sido preferidas as crias mestiças de Tabapuã
por serem mochas.

O Normando Mocho foi introduzido no Brasil em 1987, por Arnol
Fernandes Guerra, de Santana do Livramento, RS, oriundo da
internacionalmente famosa Cabanha Santa Rosa, de Hector
Caorsi, na cidade de Durazno, no Uruguai, registrando logo o
primeiro animal, "Metanol do Caverá"

Foram realizados cruzamentos com Gir e, depois, com Nelore,
Guzerá e Tabapuã, na cidade de Santana do Livramento, RS.
As crias foram terminadas com Hereford, com peso de fêmeas
entre 500-580 para abate.

No Rio Grande do Sul vem sendo desenvolvido o "Branor" (5/8
Normando + 3/ 8 Zebu, principalmente Nelore e Tabapuã),
imitando o produto norte-americano (5/8 Normando + 3/8
Brahman). Provavelmente, o nome "Branor" venha a designar os
cruzamentos de Brahman bra-sileiro com Normando o, então, os
demais cruzamentos de Normando com outras raças zebuinas
(Nelore, Gir, Guzerá o Tabapuã) tenham que escolher novas
designações.

Melhoramento Genético Na França, de um total do 1,1 milhão do
vacas apenas900 são escolhidas, em cada geração, como
"mães de futuros touros", sendo acasaladas com 7 ou 8 touros
superiores já testados. De 400 tourinhos nascidos no Teste,
apenas 150 são escolhidos para continuaram no programa.
Apenas 20 serão acasalados com vacas especiais e, no final,
apenas 4 ou 5 terão sou sêmen comercializado. As "mãos de
touros produzem 8.455 kg na 3ª lactação, apresentando ganho
genético anual de 100 kg do leite.

Fonte: Os Cruzamentos na Pecuária Tropical - Ed. Agropecuária Tropical
Digitalizado pelo Boletim Pecuário.
 

Fonte: Boletim Pecuário